Psicologia, Educação, Arte e Cotidiano


5 de julho de 2010

'EMOTIVACIONAl'




Filme "Emotivacional"

Não, você não está lendo errado.... Filmes "emotivacionais" são filmes que tem a capacidade de nos motivar através da emoção. É também não adianta procurar artigos sobre o assunto, pois acabei de criar este neologismo, que tanto agradou meu coração, por conseguir exprimir em uma palavra o que sinto tantas vezes.
Nesse caso vou começar com um filme, mas também poderia ser uma música, uma tela, uma peça de teatro, enfim, coisas que nós seres humanos produzimos e compartilhamos com os demais.
Com isso também inauguro, aqui no blog a coluna "Emotivacional" com dicas de obras que nos dão vontade de sermos cada vez mais humanos e conectados com o universo.
Assim foi com "Invictus". Nesse filme de Clint Eastwood, me senti feliz pelo simples fato de habitar o mesmo planeta que Nelson Mandela.
O filme é delicado e pungente ao mesmo tempo, trata de uma história real, mas tão fantástica que chegamos a duvidar dela.
Vale a pena conferir.

Segue a sinopse do filme:

"Invictus", novo filme de Clint Eastwood, usa poema britânico como inspiração

ANA MARIA BAHIANA,
Especial para o UOL, de Los Angeles, EUA

Escrito em 1875 por William Ernest Henley, o poema britânico "Invictuous" apresenta palavras fortes em seus versos finais: "Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma". Um século depois de escrito, o poema tornou-se o companheiro mais constante de histórico prisioneiro inocente: Nelson Mandela que, aprisionado em Robben Island cumprindo pena de trabalhos forçados, lia e relia o texto de Henley para manter a esperança e a sanidade.
"Invictus", o poema, é mencionado duas vezes em "Invictus", o novo filme dirigido por Clint Eastwood. Da primeira vez, na cena que muda todo o ritmo e a dinâmica do filme, Mandela (Morgan Freeman), já presidente da África do Sul, recita o texto para François Pienaar (Matt Damon), o capitão dos Springboks, a seleção sul africana de rugby. O ano é 1995, uma copa do mundo do rugby se aproxima, a ser disputada numa África do Sul ainda profundamente dividida ao longo das linhas raciais. Os Springboks são o próprio símbolo da supremacia branca. "Na prisão, nós fazíamos questão de torcer por quem estivesse jogando contra eles", Mandela/Freeman admite.
E é por isso mesmo que Mandela chama o jovem capitão do time a Pretória - ele quer não apenas que o time ganhe a copa, mas aproxime-se da população negra que o hostiliza. E para que Pienaar saiba que não é tarefa fácil, mas possível, ele cita o poema. "Ele me disse uma vez - e eu, no papel dele, repito isso no filme - que ir aos jogos olímpicos de Barcelona foi uma experiência fundamental para ele", diz Morgan Freeman, escolhido pessoalmente por Mandela para representá-lo na tela. "Ele viu como países diferentes, até inimigos, podiam se unir em torno do esporte. Mandela é um grande processador de informação."

A segunda aparição de "Invictus" é fictícia, mas poderosa como signo: o poema está na carta que Mandela envia a Pienaar no início da copa de rugby (na verdade Mandela enviou um trecho de um discurso do presidente norte americano Theodore Roosevelt). "Eles sabiam que representavam algo maior", diz Matt Damon, que treinou com o próprio Pienaar para adquirir a endurance necessária ao jogo. "Foi uma jornada incrível para eles não apenas até a vitória, mas principalmente até aprender a letra para "Nkosi Sikele iAfrica" (o hino da África do Sul pós-apartheid) e jogar representando, de fato, todo o país."

Indicados ao Globo de Ouro por Invictus, respectivamente como melhor ator e melhor coadjuvante, Freeman e Damon tiveram experiências diferentes mas complementares fazendo Invictus - rodado na África do Sul, um país que ambos adoraram. Para Damon foi "a descoberta do esporte, que é incrivelmente exigente e violento. Mas aceitei o desafio para honrar Pienaar, uma pessoa decente e corajosa." Para Freeman, que conhece Mandela de longa data, foi a oportunidade de viver integralmente a experiência do homem que admira. "Mas, ao contrário dele, não sou capaz de perdoar integralmente. Perdoar, talvez. Esquecer, jamais."

22 de junho de 2010

Aprendizado com a Dinâmica Energética do Psiquismo - DEP


Desde o início de 2009 estou fazendo minha formação na DEP, e neste ano e meio de convivência tenho aprendido muito e me conectado cada vez mais com o Ser Essencial, sou muito grata a esse processo e compartilho aqui algumas reflexões que sustentam o trabalho da escola.
Para saber mais basta clicar na imagem.

“ A mente deseja a separação; o Amor deseja a unicidade”
Sai Baba

“O ser humano é parte de um todo chamado por nós de Universo, uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele experimenta a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos como algo separado do resto, um tipo de ilusão de ótica de sua consciência. Essa ilusão para nós, restringindo-nos aos nossos desejos pessoais e à afeição por umas poucas pessoas próximas a nós. Nosso trabalho deve ser libertar-nos dessa prisão, ampliando nosso círculo de compaixão para abarcar todas as criaturas vivas e a natureza inteira em sua beleza”.
Albert Einstein

“O silêncio é a palavra de quem busca o Espírito”.
Sai Baba

“Você é o mundo, o mundo é você.”
Krishnamurti

“ Cada ser humano é a encarnação de Deus”
Sai Baba

"A sombra é tudo o que não foi assumido, tudo o que não foi possível ser vivido, exprimido, ou seja, a luz, a vida que não conseguiu oferecer-se. A energia então fica estagnada, esclerosa-se, torna-se um peso morto e nos paralisa. Para ter bases saudáveis e sólidas, a abertura espiritual passa por uma atenção, por uma compreensão que inclui essa sombra em nós”
Jean-Yves LeLoup

11 de maio de 2010

Avós para salvar o planeta!!!!


Matéria da Revista Vida Simples do mês de maio.

A voz das avós

Dos quatro cantos do mundo, elas se reuniram para formar o Conselho Internacional das Treze Avós Nativas. Dedicadas a preservar a sabedoria de nossos ancestrais indígenas, caminham com graça na corda bamba entre a política e a espiritualidade

texto José Augusto Lemos | fotos Marisol Villanueva/Grandmotherscouncil.org


União pelos valores mais perenes da civilização: as 13 avós em encontro recente. Vindas de todo o mundo, estas adoráveis senhoras formam uma espécie de ONU das nações indígenas. Legado para as próximas gerações

“VIDA SIMPLES?”, ecoa a senhora lakota Rita Long Visitor Holy Dance. Arregala os olhos e sorri, surpresa com o nome da revista para a qual está dando entrevista. Aí o sorriso desaparece e seu olhar fecha o foco. “Nossa vida é assim mesmo, beeem simples!”, emenda ela, em tom de ênfase, com a cara mais séria do mundo – como se fosse impensável querer viver de outra forma.

Mas complicação é o que não falta para o povo lakota, conhecido por seu Grande Chefe Touro Sentado, guerreiro-xamã que acabou com o general Custer em uma das mais célebres batalhas da história americana. A vitória não adiantou muito. Como praticamente todas as nações indígenas do planeta, os lakotas tiveram território e soberania usurpados a ferro e fogo. Ainda hoje, lutam contra barbaridades como a contaminação das águas de sua reserva, no estado de Dakota do Sul, pela mineração de urânio, espalhando morte e doença.

Rita e sua família desempenham um papel importante na defesa de sua gente. Aos 84 anos, ela viaja pelo mundo todo – junto à irmã Beatrice, dois anos mais nova – representando a tradição, a cultura e a espiritualidade lakota no Conselho Internacional das 13 Avós Nativas, um grupo de mulheres totalmente sui generis. Para ter uma ideia de quem são e do que fazem essas damas, vale a pena ouvir a história desde o princípio.

A visita Acredite ou não, tudo começou com uma aparição sobrenatural. É o que diz Jeneane Prevatt, responsável pela reunião do Conselho. Mais conhecida como Jyoti (“Luz” em sânscrito), Jeneane vem de uma trajetória espiritual eclética, narrada em seu livro An Angel Called My Name (“Um anjo chamou meu nome”, inédito em português). Pós-graduada em psicologia pelo Instituto Jung de Zurique, atravessou um processo radical de transformação praticando Kundalini Yoga com um guru indiano. Com 25% de sangue indígena sob a pele branca, passou a receber visitas do espírito de sua avó cherokee, que a levou a aproximar-se das práticas espirituais dos índios americanos. Acabou tornando-se fundadora e líder de uma comunidade internacional chamada Kayumari, ligada à Igreja Nativa Americana, que tem como sacramento o cacto psicoativo peiote

A visão veio em 1998. “A Mãe Divina me apareceu, anunciando que iria me entregar uma cesta sagrada, onde estavam algumas de suas joias mais preciosas. ‘Estas joias representam linhagens de preces que remontam às nossas eras originais’, disse Ela. ‘Não as misture, não as altere. Proteja-as. Atravesse com elas o portal do milênio e as devolva a mim. Tenho algo para fazermos’.”

As tais joias eram nada menos que certas plantas e fungos utilizados desde tempos imemoriais, como ferramenta de cura e êxtase visionário. Além do peiote, a cesta trazia o cipó amazônico ayahuasca, a raiz africana iboga e os “cogumelos mágicos” dos maias e astecas. Outra peça do quebra-cabeça começou, então, a se apresentar em uma frase mântrica que membros da comunidade Kayumari ouviam cochichar em seus ouvidos: “Quando as avós falarem... Quando as avós falarem...”

O que iria acontecer quando as avós falassem? Nenhuma daquelas pessoas sabia disso ainda, mas diferentes tribos americanas traziam na memória uma antiga profecia, que dizia mais ou menos assim: “Quando as avós das quatro direções falarem, uma nova era estará nascendo”.

África-Brasil O mistério colocou Jyoti em uma nova peregrinação. Até as últimas décadas do século 20, quase ninguém ouvira falar na iboga fora da África Ocidental, onde se consagrara como ingrediente-chave do culto religioso Bwiti. Em pouco tempo, porém, a planta ganhou fama mundial como cura milagrosa para dependentes de heroína, superando todos os índices dos tratamentos psiquiátricos convencionais. Depois de conhecer, no Brasil, a versão cristã da ayahuasca, batizada Santo Daime, Jyoti viajou ao Gabão para encontrar-se com Bernadette Rébiénot, mestre da iboga e conselheira espiritual do presidente de seu país.

“Você tem que fazer isso já!”, respondeu Bernadette, depois de iniciar a nova discípula e esta lhe contar suas visões, sobre a missão de proteger as plantas sagradas e reunir avós detentoras desse conhecimento. Confessando que tinha as mesmas visões, a mestre gabonesa mostrou a Jyoti uma carta que assinara no Peru, junto com os curadores ayahuasqueiros de lá. O documento declarava que os povos nativos tinham todos os direitos sobre suas plantas medicinais, livres de restrições governamentais e de patentes pirateando essas plantas para a indústria farmacêutica.

Em sua viagem seguinte ao Brasil, Jyoti descobriu outra carta, de conteúdo idêntico, nas mãos de Maria Alice Freire, moradora do Céu do Mapiá, comunidade santo-daimista no coração da selva amazônica. Fundadora do Centro Medicina da Floresta – ONG dedicada à pesquisa de plantas medicinais –, Maria Alice assinara uma declaração de princípios com pajés de várias tribos, nos mesmos termos que Bernadette e seus aliados peruanos.

Mulheres globais Jyoti não precisou de mais nenhum toque para transformar a visão em ação. Mesmo assim, demorou três anos para arrecadar o dinheiro necessário para realizar, perto de Nova York, em outubro de 2004, o evento que daria à luz o Conselho. Intitulado Global Women’s Gathering (“Reunião de Mulheres Globais”), o encontro se anunciava com a proposta de “alinhar a sabedoria das mulheres indígenas com a sabedoria das mulheres ocidentais”. Treze avós representavam povos nativos dos quatro cantos da planeta.

Seis norte-americanas somavam as nações lakota, cheyenne, arapaho, hopi, tewa, takelma e iúpique. Completavam o time uma mexicana, uma tibetana, uma nepalesa, uma nicaraguense, a gabonesa Bernadette e duas brasileiras – junto com Maria Alice, vinha Clara Iura, curadora companheira do Céu do Mapiá. Entre as “ocidentais”, despontavam figuras como a escritora Alice Walker, de A Cor Púrpura, a lendária feminista Gloria Steinem e Carol Moseley Braun, primeira negra eleita para o senado dos Estados Unidos.

O resultado pode ser testemunhado no documentário For the Next Seven Generations (“Para as Próximas Sete Gerações”, 2009), que acompanha o Conselho, desde essa primeira reunião, em diversas viagens ao redor do mundo. Inédito no Brasil, mas com trechos disponíveis no YouTube e no site www.forthenext7generations.com, o filme registra desde a empatia imediata entre as Treze Avós até a comoção causada entre a plateia e as estrelas mais notórias do evento.

“Nós focalizamos as semelhanças, não as diferenças. Dessa forma criamos relacionamentos”, afirma Mona Polacca – de sangue hopi, tewa e havasupai, nações do grande deserto que se estende do Arizona ao Novo México –, para explicar como as 13 se entendem tão bem, apesar de tantas diferenças culturais. O principal traço em comum ficou evidente já na programação do Global Women’s Gathering: todas são mulheres de prece – “rezadoras”, na antiga expressão popular brasileira. Três vezes por dia – ao amanhecer, sob o sol a pino e ao cair da noite –, elas se reuniam para oferecer, uma de cada vez, uma oração. Rezar pela paz mundial, pelas crianças e pela cura da Mãe Terra é uma das atividades centrais do Conselho – e, dependendo da orientação da Avó que estiver conduzindo a cerimônia, essa prece pode transformar-se num ritual xamânico de purificação, desencadeando catarse e arrebatamento no público. É o que costuma acontecer, por exemplo, quando a nepalesa Aama Bombo martela seu tambor, invocando a deusa Kali e espíritos da natureza, até entrar em transe.

Prece em ação Aama não utiliza nenhuma das “plantas de poder” contidas na cesta recebida por Jyoti em sua visão. Ao se materializar, a união das Treze Avós revelou-se mais abrangente, abraçando uma espiritualidade universal. As joias da Mãe Divina estão todas presentes: o peiote na cheyenne Margaret Behan, ceramista e terapeuta cujo avô fundou a Igreja Nativa Americana; e os cogumelos na curadora mazateca Julieta Casimiro – além, é claro, da iboga de Madame Rébiénot e da ayahuasca com as duas brasileiras do Santo Daime. Isso não significa que falte espaço para o budismo, religião que prega a abstenção de intoxicantes. Representa essa linha a tibetana Tsering Gyaltong, de admirável currículo na militância. Nos primórdios da invasão chinesa do Tibete, organizou um tumulto feminino destinado a desviar a atenção do exército maoísta, possibilitando, assim, a fuga do Dalai Lama. Também fundou a Associação de Mulheres Tibetanas, rede mundial de exiladas concentradas na defesa de seu país, sua cultura e sua fé. Ao receber as outras 12 Avós em Dharamsala, cidade indiana que abriga a principal comunidade de seus compatriotas refugiados, Tsering as levou para uma audiência com o chefão. Brincando sem parar, o Dalai Lama não perdeu a seriedade. Brindou as visitas com declarações certeiras no alvo das preocupações delas – tipo “rezar é bom, mas não é o suficiente. É preciso agir!”

No jargão das próprias Avós, chama- se “transformar prece em ação”. Outro exemplo encarnado dessa diretriz é a presidente do Conselho, Agnes Pilgrim, eleita por ser, aos 85, a mais velha da turma – e também da dúzia de sobreviventes da nação takelma, original do estado do Oregon. A idade não impede seu ativismo, premiado por universidades e outras instituições pelo resgate da Cerimônia do Salmão, ritual de sua tribo perdido fazia 140 anos. Nessa batalha para proteger o peixe que sempre alimentou seu povo, Agnes conseguiu até levar o governo a remover os diques que impediam o bicho de subir o rio para procriar.

Patrimônio A avó maia-nicaraguense Flordemayo, por sua vez, revela afinidades com Maria Alice. Fundou, no Novo México, o Institute of Natural and Traditional Knowledge (“Instituto de Conhecimento Natural e Tradicional”), ONG etnobotânica muito parecida com o CMF de sua colega amazônica. Entre outros projetos, mantém um Banco de Sementes, para salvaguardar as plantas do risco de virarem todas “comida frankenstein”: alimentos transgênicos. Enquanto isso, a avó de etnia iúpique (vulgarmente conhecida como “esquimó”) Rita Blumenstein pode ser facilmente confundida com a nipobrasileira Clara. Enquanto esta dirige um centro de caridade no meio da floresta, Rita trabalha nos hospitais do Alasca como a primeira curadora xamânica a receber certificado legal para isso. Saúde e educação não poderiam deixar de ser questões-chave para o Conselho, e essas quatro mulheres encontram aqui seu campo de ação privilegiado.

Tais semelhanças confirmam as palavras de Mona sobre a arte do relacionamento. Quando ela reza, termina sempre assim: “Para todas as nossas relações”. Basta passar um tempinho com as Treze Avós para aprender que a frase não é exclusividade de nenhuma tribo – e sim patrimônio das nações indígenas norte-americanas em geral. Significa, para elas, rogar por todos os seres vivos, interligados na teia da Criação. Lembra, é claro, a tradicional oferenda das preces budistas para “todos os seres sensíveis”, que Tsering repete a cada encontro.

As irmãs Rita e Beatrice, aliás, nunca deixam de afirmar que se identificam 100% com o povo tibetano. Assim como este teve seu país tomado à força, os lakotas perderam suas terras sagradas, as Black Hills, num dos episódios mais vergonhosos da história da humanidade. Em 1868, o governo americano assinou um tratado garantindo aquele torrão eternamente para a tribo. Bastou encontrarem ouro para as tropas do general Custer violarem o acordo, motivo pelo qual o acima citado Touro Sentado partiu para a guerra.

Agora, um século e meio depois, Barack Obama procura os descendentes do Grande Chefe oferecendo uma indenização. Mas eles não querem saber dos milhões, nem dos bilhões de dólares do Tesouro Federal: só aceitam receber suas terras de volta. Já a militância das avós lakotas voa mais alto: fizeram o Conselho assinar uma carta ao Vaticano, requisitando a revogação de uma série de bulas papais do século 15, que davam às Coroas espanhola e portuguesa direito de matar todos os “pagãos” que não quisessem se converter ao cristianismo, apoderandose de todas suas propriedades. Passados cinco anos sem resposta, as Avós não perdem a fé, nem deixam de rezar “para todas as nossas relações”. Conforme explica a vovó Rita Long Visitor Holy Dance, “isso inclui até o seu pior inimigo.”

Os espíritos do general Custer e do papa Nicolau V agradecem!

Sábias palavras O que as avós dizem sobre grandes questões da nossa vida

Amor
“Sem ele, qualquer um perde as esperanças e a vontade de viver. O maior desafio na vida é aprender a amar a si mesmo, do jeito que realmente somos, para poder, então, amar os outros.” Flordemayo, Avó maia, Nicarágua (foto acima)

“Quando há pouca comida, eu alimento primeiro meus filhos. Isso, para mim, é amor. Quando você diz que ama alguém, tem que ser para valer. Não saia por aí abraçando todo mundo, cobrindo as pessoas de presentes, dizendo que ama a todos, porque, no fundo, não é verdade.”
Rita Long Visitor Holy Dance, Avó lakota, Estados Unidos

Homem e mulher
“As mulheres têm a masculinidade dentro de si e os homens têm a feminilidade. É preciso equilibrar tudo isso dentro de nós quando nos tornamos adultos.” Agnes Pilgrim, Avó takelma, Estados Unidos “Assim como o sol, caminham sempre juntos ao redor do mundo.” Julieta Casimiro, Avó mazateca, México

Prece
“Só estarmos vivos já significa que a prece foi atendida. Rezar é aprender a ter gratidão por nossas necessidades serem atendidas.” Agnes Pilgrim, Avó takelma, Estados Unidos “Expressar uma reza ao poder superior nos conforta e liberta das preocupações de nossa existência mundana.” Mona Polacca, Avó hopi/ havasupai/teawa, Estados Unidos

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Mudança
“O espírito me mandou fazer uma viagem, do cérebro até o coração. Porque eu precisava enxergar através do coração, que me faz ignorar os defeitos alheios, me impede de julgar as pessoas e ensina que não posso mudar ninguém, apenas a mim mesma.” Agnes Pilgrim (foto acima)

Coração “Sua vibração nos conecta com o universo e o espírito. Deixemos o coração falar por nós, para cercar o mundo de verdade, amor e harmonia.” Aama Bombo, Avó nepalesa

“O lugar onde ocorre a verdadeira comunicação e a compreensão de quem realmente somos. Um lugar de toda clareza, onde tudo se encontra em sua forma pura.”
Flordemayo

Mente
“O lugar onde habita a inteligência, mas separado da compreensão da essência de Deus.” Flordemayo “Tem muita força. Nos protege e também pode destruir. Minha mente está sempre trabalhando duro, especialmente quando estou sozinha.” Rita Long Visitor Holy Dance

Deus

“É a Consciência do Universo, como uma poeira que está aí: você não pode enxergá-la, mas tem que estar consciente de que ela está aí.” Rita Blumenstein “O professor que dá motivação para se fazer o bem. Ensina o ser humano a respeitar tudo que está à sua volta.” Aama Bombo

LIVROS Grandmothers Counsel The World, Carol Schaefer, Editora Trumpeter

22 de abril de 2010

Dia do Planeta, vamos falar sobre a carta da Terra!


O que é a Carta da Terra?

A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século 21, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação.

A Carta da Terra se preocupa com a transição para maneiras sustentáveis de vida e desenvolvimento humano sustentável. Integridade ecológica é um tema maior. Entretanto, a Carta da Terra reconhece que os objetivos de proteção ecológica, erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico eqüitativo, respeito aos direitos humanos, democracia e paz são interdependentes e indivisíveis. Consequentemente oferece um novo marco, inclusivo e integralmente ético para guiar a transição para um futuro sustentável.

A Carta da Terra é resultado de uma década de diálogo intercultural, em torno de objetivos comuns e valores compartilhados. O projeto da Carta da Terra começou como uma iniciativa das Nações Unidas, mas se desenvolveu e finalizou como uma iniciativa global da sociedade civil. Em 2000 a Comissão da Carta da Terra, uma entidade internacional independente, concluiu e divulgou o documento como a carta dos povos.

Neste momento em que é urgentemente necessário mudar a maneira como pensamos e vivemos, a Carta da Terra nos desafia a examinar nossos valores e a escolher um melhor caminho. Alianças internacionais são cada vez mais necessárias, a Carta da Terra nos encoraja a buscar aspectos em comum em meio à nossa diversidade e adotar uma nova ética global, partilhada por um número crescente de pessoas por todo o mundo. Num momento onde educação para o desenvolvimento sustentável tornou-se essencial, a Carta da Terra oferece um instrumento educacional muito valioso.

PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA

1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.

  1. Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
  2. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.

  1. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais, vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
  2. Assumir que, com o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder, vem a
    maior responsabilidade de promover o bem comum.
Para acessar a Carta da Terra na íntegra clique:
http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/text.html

13 de abril de 2010

Clarice Lispector: a Pedra Filosofal


A simplicidade de seus enredos é assustadora,como se pode perceber, resumindo a Paixão segundo G. H., que conta os acontecimentos ocorridos no dia anterior na vida de uma escultora da classe alta, que mora num apartamento e resolve arrumar o quarto da empregada, que ela supõe que seja muito sujo. Ao contrário de sua suposição, o quarto é limpo e claro, mas ela se depara com uma barata dentro do guarda-roupa e a esmaga entre a porta. Segundo a própria autora: “Meus livros felizmente para mim não são superlotados de fatos, e sim da repercussão dos fatos nos indivíduos.”
Portanto, é falando sobre temas banais, ou em situações comuns que Clarice abre um novo universo, muito mais próximo das sensações e dos sentimentos, próximo do que é inominável. Este "instante revelador" é sua matéria prima, assim como o tão almejado insight na psicoterapia.
No trabalho clínico, a obra de Clarice, muitas vezes, foi por mim utilizada como possibilidade de interpretação dos sentimentos de meus pacientes. Chegando até a realização de leituras de alguns trechos, ou a sugestão de livros.
Dentre estas experiências, uma foi mais significativa. Uma paciente de meia idade, que havia acabado de sair de um casamento com mais e 20 anos, no qual ela estava sendo ameaçada de morte pelo marido, conta-me que acha horrível sentir falta daquilo que não é mais necessário e que a mantinha paralisada. E no encontro seguinte, ela entrega-me algumas páginas manuscritas, das quais reproduzirei alguns trechos: “Acredito que estou buscando, mas ao mesmo tempo espero que venha. É isto, estou me dando o deleite de esperar por mim. (...) Vou me observar da mesma forma que se observa um recém-nascido. (...) Tanta coisa para fazer e eu quero mesmo é me sentir.” (sic)
E para este mesmo encontro eu havia reservado uma frase do livro Paixão segundo G.H., que era:


“Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.”


O olhar de espanto foi imediato. Ela se virou e disse: “Como é possível. Ela me conhece. Como uma pessoa pode falar tão precisamente de mim assim.” E penso que é justamente este espanto que a obra de Clarice Lispector tem o poder de gerar.
A leitura de seus livros é lenta, pois não permite que o leitor permaneça imune às suas falas, aos seus apelos e às suas viagens para dentro de si mesmo, ou fora, ou tudo.