
Certa vez dois monges estavam viajando juntos quando chegaram a um riacho. Eles iam entrar no riacho quando viram uma jovem próxima à margem, sem coragem de atravessá-lo. Um dos monges seguiu em frente ignorando a mulher deliberadamente. O outro parou perguntou-lhe se precisava de ajuda. Quando ela disse que sim, ele a apanhou em seus braços, levou-a até a outra margem e sentou-a no chão. Então disse-lhe adeus e foi estar com o outro monge, que o aguardava com uma expressão muito zangada. Não disse nada, e os dois seguiram viagem. Quando alcançaram o alojamento do templo onde passariam a noite, o colega zangado não pôde mais se conter e disse ao outro: “Você sabe que não devemos nos aproximar de mulheres, especialmente as jovens e bonitas. Você sabe que isso é perigoso. Por que fez isso?” Então ele respondeu: “Eu deixei a moça na outra margem. Por que você continua carregando ela?”
Sempre me espanto com o excesso de peso desnecessário que carregamos em nossa bagagem existencial. Aprender a nos desapegarmos de sofrimentos, hábitos e lembranças desnecessárias nos ajuda a deixar mais prazerosa a nossa caminhada pela vida. Tenho como missão deixar a "moça" na margem do riacho, mas muitas vezes me pego carregando-a durante dias...
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