Psicologia, Educação, Arte e Cotidiano


22 Abril, 2010

Dia do Planeta, vamos falar sobre a carta da Terra!


O que é a Carta da Terra?

A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século 21, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação.

A Carta da Terra se preocupa com a transição para maneiras sustentáveis de vida e desenvolvimento humano sustentável. Integridade ecológica é um tema maior. Entretanto, a Carta da Terra reconhece que os objetivos de proteção ecológica, erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico eqüitativo, respeito aos direitos humanos, democracia e paz são interdependentes e indivisíveis. Consequentemente oferece um novo marco, inclusivo e integralmente ético para guiar a transição para um futuro sustentável.

A Carta da Terra é resultado de uma década de diálogo intercultural, em torno de objetivos comuns e valores compartilhados. O projeto da Carta da Terra começou como uma iniciativa das Nações Unidas, mas se desenvolveu e finalizou como uma iniciativa global da sociedade civil. Em 2000 a Comissão da Carta da Terra, uma entidade internacional independente, concluiu e divulgou o documento como a carta dos povos.

Neste momento em que é urgentemente necessário mudar a maneira como pensamos e vivemos, a Carta da Terra nos desafia a examinar nossos valores e a escolher um melhor caminho. Alianças internacionais são cada vez mais necessárias, a Carta da Terra nos encoraja a buscar aspectos em comum em meio à nossa diversidade e adotar uma nova ética global, partilhada por um número crescente de pessoas por todo o mundo. Num momento onde educação para o desenvolvimento sustentável tornou-se essencial, a Carta da Terra oferece um instrumento educacional muito valioso.

PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA

1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.

  1. Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
  2. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.

  1. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais, vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
  2. Assumir que, com o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder, vem a
    maior responsabilidade de promover o bem comum.
Para acessar a Carta da Terra na íntegra clique:
http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/text.html

13 Abril, 2010

Clarice Lispector: a Pedra Filosofal


A simplicidade de seus enredos é assustadora,como se pode perceber, resumindo a Paixão segundo G. H., que conta os acontecimentos ocorridos no dia anterior na vida de uma escultora da classe alta, que mora num apartamento e resolve arrumar o quarto da empregada, que ela supõe que seja muito sujo. Ao contrário de sua suposição, o quarto é limpo e claro, mas ela se depara com uma barata dentro do guarda-roupa e a esmaga entre a porta. Segundo a própria autora: “Meus livros felizmente para mim não são superlotados de fatos, e sim da repercussão dos fatos nos indivíduos.”
Portanto, é falando sobre temas banais, ou em situações comuns que Clarice abre um novo universo, muito mais próximo das sensações e dos sentimentos, próximo do que é inominável. Este "instante revelador" é sua matéria prima, assim como o tão almejado insight na psicoterapia.
No trabalho clínico, a obra de Clarice, muitas vezes, foi por mim utilizada como possibilidade de interpretação dos sentimentos de meus pacientes. Chegando até a realização de leituras de alguns trechos, ou a sugestão de livros.
Dentre estas experiências, uma foi mais significativa. Uma paciente de meia idade, que havia acabado de sair de um casamento com mais e 20 anos, no qual ela estava sendo ameaçada de morte pelo marido, conta-me que acha horrível sentir falta daquilo que não é mais necessário e que a mantinha paralisada. E no encontro seguinte, ela entrega-me algumas páginas manuscritas, das quais reproduzirei alguns trechos: “Acredito que estou buscando, mas ao mesmo tempo espero que venha. É isto, estou me dando o deleite de esperar por mim. (...) Vou me observar da mesma forma que se observa um recém-nascido. (...) Tanta coisa para fazer e eu quero mesmo é me sentir.” (sic)
E para este mesmo encontro eu havia reservado uma frase do livro Paixão segundo G.H., que era:


“Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.”


O olhar de espanto foi imediato. Ela se virou e disse: “Como é possível. Ela me conhece. Como uma pessoa pode falar tão precisamente de mim assim.” E penso que é justamente este espanto que a obra de Clarice Lispector tem o poder de gerar.
A leitura de seus livros é lenta, pois não permite que o leitor permaneça imune às suas falas, aos seus apelos e às suas viagens para dentro de si mesmo, ou fora, ou tudo.