Psicologia, Educação, Arte e Cotidiano


26 Outubro, 2009

Meu pai sabe voar

Este é um vídeo para divulgar o livro MEU PAI SABE VOAR (FTD), que escrevi em parceria com Marcelo Mlauf. O lançamento será no dia 05 de Dezembro,na Livraria Martins Fontes, da Av. Paulista, a partir das 15h.

20 Outubro, 2009

A aliança em torno de objetivos comuns


Participo de um grupo de estudos junguiano com o querido Alberto Lima, que toda semana me alimenta com uma reflexão profunda e poesia do cotidiano.

Por isso compartilho um de seus textos: "A aliança em torno de objetivos comuns é que sustenta uma união"

Só se casam de fato parceiros que compartilham valores e se aliam para realizar um projeto escolhido e desejado por ambos. Senão, cada um vai para um lado e os laços se fragilizam. Isso é comum no começo das relações e até pode levar à separação. Parceiros que percebem o problema têm mais chance de renovar o pacto, honrando a intenção de formar um casal.

Entrelace as mãos, como se costuma fazer ao orar. Forma-se um desenho harmonioso, um encaixe perfeito.

Em alguns raros momentos, a sintonia entre personalidades, gostos, esperanças e desejos de um casal podem ser representados por essa metáfora. Agora abra as mãos sem soltá-las por inteiro, deixando desprendidos os polegares e afrouxando os demais dedos, sem desfazer o enlace.

A forma continua bela, mas já não se divisa um encaixe completo. A primeira composição representa nossos ideais de parceria amorosa. Mas a segunda, sabemos, é a que traduz, de fato, a harmonia possível para um casal. É o que basta para uma parceria ser bem-sucedida, satisfatória e duradoura.

Os dedos entrelaçados representam os valores compartilhados - crenças a respeito dos seres humanos, da vida, do casamento, do sentido e da finalidade da aliança formada. São valores importantes para a sustentação de uma união. Em sua ausência, os esforços são empreendidos em direções díspares, quando não antagônicas, inviabilizando o projeto comum e gerando o sentimento de desperdício de tempo, de empenho, de motivação.

A noção de aliança é um dos principais sustentáculos do casamento. Quando duas pessoas se aliam, elas o fazem mirando uma finalidade compartilhada, escolhida e consciente. Caso não se ocupem desse quesito, os envolvidos correm o risco de juntar suas vidas com elos fracos, isto é, ao contrário do que imaginam, não se casam.

Casar-se significa abraçar em comum acordo não apenas o desejo de serem felizes, como também o próprio significado de felicidade, o formato que a vida conjunta deverá assumir para que os parceiros se sintam bemsucedidos. Quando a vivência de um casal pode ser descrita como um empenho incomum de energia, sem que se atinjam os resultados almejados, a primeira coisa a ser avaliada é a qualidade da aliança formada.

É freqüente, nesses casos, que haja disparidade de crenças e valores. O casal falha em avaliar a importância de sentir e pensar em voz alta, para incluir o outro nos próprios planos e para tornar conhecidas dele as próprias perspectivas. Não se trata de descaso, sonegação de informações, ou desinteresse. O que acontece é que se acredita que a idéia de casamento seja universal e, em razão disso, necessariamente compartilhada.

Só que a vida não funciona assim. Cada pessoa tem uma imagem do que deva ser o casamento e fantasias de felicidade que muitas vezes não encontram respaldo no imaginário do outro. Este, então, não tem como aderir ao projeto. É até comum que as ligações, no princípio, tenham esse caráter, especialmente aquelas que começam quando somos muito jovens e sonhadores.

Mas, uma vez conscientes da ausência do senso de aliança, nos termos aqui definidos, é necessário que os parceiros procurem reformular seu contrato de união. Só assim poderão adentrar o período mais maduro de seu vínculo e honrar a intenção de formar um casal.

O perigo é partirem para a solução aparentemente mais fácil, a separação, sem que tenham se dedicado a verificar as chances de efetivar o casamento. Um parceiro não entra na vida do outro para corresponder a expectativas, preencher lacunas ou dar conta de necessidades. Essas são funções dos pais e, ainda assim, nos primeiros anos de vida. Na vida adulta e no plano amoroso, é importante que tenham superado essa posição infantil e se abram para a vida compartilhada.

Alberto Lima, psicoterapeuta de orientação junguiana, é professor-doutor em Psicologia Clínica e autor de O Pai e a Psique (Editora Paulus).

Para ler outros texto do Alberto públicados na revista Caras, clique aqui.

06 Outubro, 2009

Mais do tempo


e quando o tempo acelera de tal modo
que não conseguimos percebê-lo?
o que acontece?
envelhecemos mesmo assim?
os cabelos ficam brancos e as unhas crescem?
ou envelhecer é ter consciência do tempo passando?
ou o outro nome do tempo é
amadurecimento: tempo guardado na memória

se fosse assim o relógio no pulso do velho
marcaria as horas com rugas
e os ponteiros do relógio de um jovem
as horas com pressa

para que servem os relógios
se o tempo do sono e do medo são imprecisos?

por que o tempo insiste em correr tanto?
aonde deseja chegar se tudo recomeça?
talvez não saibamos
e o tempo
um dia
também acabe

Poema de Marcelo Maluf, também disponível no Larintos no Sótão