Psicologia, Educação, Arte e Cotidiano


25 de março de 2009

Radiohead em São Paulo


Simplesmente inesquecível!!! Foi o show mais emocionante de minha vida, foi uma experiência maravilhosa!!!! E por mais que eu duvidasse que eles tocassem Creep, foi assim que o show terminou!!!! Melhor impossível!!!!!!

Por isso também aproveito pra reproduzir as palavras bem encontradas de Isay Weinfeld para a Folha de São Paulo de ontem.



Radiohead faz arte essencial, pura, um soco no estômago

Banda inglesa realiza apresentação impecável e inesquecível em São Paulo

ISAY WEINFELD
ESPECIAL PARA A FOLHA 24/03/2009

Hoje, quando o tintureiro chegar e perguntar "Tem roupa pra lavar?", vou disfarçar e dizer "Tem não, senhor..." Da última vez que dei minhas roupas para lavar após assistir a um show do Radiohead, vi no dia seguinte o tintureiro voltar com uma certa melancolia estampada na face... A música deles impregna até na roupa.
Não desgruda. Logo após o show, é impossível sequer ligar o rádio do automóvel. Conversar com alguém, nem pensar... Dependendo de quem esteja com você então, é uma ótima desculpa.
Na manhã seguinte você ainda acorda enlevado, perguntando: o que é aquilo que passou ontem por mim com tanta força? Mas erra feio quem reduz estes sentimentos somente à melancolia. Este é só um dos inúmeros calafrios que se sente ao ouvi-los ao vivo.
E, a cada música, a viagem te conduz a lugares distintos. Você fatalmente irá se apaixonar pelo trabalho deles, se os lugares em que a música deles te levar forem os lugares que você eventualmente gostaria de estar, de conhecer... Senão, não vai gostar.
A música é mágica, enigmática, lancinante, ousada. O grupo se apresenta exatamente como eles são fora do palco. Sem afetação, modismos, superficialidades. Não fazem gênero.

Equilíbrio entre som e luz
Vão lá, dão o seu recado e, infelizmente, vão embora. E são generosos. Mais de duas horas disso tudo, com uma mistura na medida certa entre som, luz e imagem. Uma completando a outra. Luz e imagem a serviço da música. Nada está lá à toa, para chamar atenção. Tudo na medida certa, elegante. Um show impecável, inesquecível.
Difícil destacar alguma música (apesar de minha paixão por "Videotape"). Nem as mais antigas parecem deslocadas no contexto geral do show. Thom Yorke, gênio encantado, cantor excelente e absurdamente carismático, te conduz com segurança e uma pontinha de satisfação a uma outra dimensão. Depois, fica muito difícil voltar... Nosso mundo aqui é bem mais chatinho.

Muito além do rock
Só fico um pouco incomodado quando leio que Radiohead é uma banda de rock. Ser só uma banda de rock certamente não é pouca coisa, mas eles vão muito além. Muito além... Evidentemente que estas são sensações muito particulares.
Mexe com um, não mexe com outro. Só estou querendo dizer que este grupo de cinco rapazes, amigos de colégio, se juntou e misturou letra, música, técnica, performance, luz e imagem de uma maneira que me inquieta, me transtorna.
É arte. Pura, essencial. Um soco no estômago. Ed, Colin, Jonny, Phil e Thom, quero acreditar, conspiraram com a intenção de me fazer levitar com sua música. E eu, daqui de cima, vejo uma galera saindo do show tarde da noite...tranquila. Feliz.

ISAY WEINFELD, 56, é arquiteto

21 de março de 2009

Maurício Pereira

Essas são minhas duas músicas preferidas do lindo álbum Pra Marte de 2007 do Maurício Pereira, quem quiser conferir as letras é só clicar aqui. Trovoa e Truques com facas.

19 de março de 2009

Ele precisa começar


Na semana passada fui Fátima.

Essa mudança radical se deu através das mãos, do olhar, do corpo, da presença do ator Felipe Rocha. Amo teatro, paixão esta que nasceu muito antes da psicologia, mas o amor também nos torna exigentes e por isso nos frustra com constância, porém quando me encontro diante de um espetáculo como esse, sinto todas as células de meu corpo em festa, em conexão comigo, com a cena e com o universo. Ele precisa começar é sublime! Simples, certeiro e real.

É uma peça que transpira. Quando me candidatei à Fátima não sabia o que me aguardava, mas como gosto da brincadeira, me abri para essa experiência, é bem verdade que não fui às cegas, pois já havia visto Felipe com a Cia. dos Atores, do diretor Enrique Diaz, em Ensaio.Hamlet e na Gaivota, e cada uma delas fui assistir duas vezes, pois me encantei com os espetáculos.

Mas Ele precisa começar superou minhas expectativas, Felipe faz tudo, enche o palco, ocupa todos os espaços, a luz, o som , a forma, se entrega e permite que o público submerja, vivencie aquele instante, permanece no aqui-agora, essência de nossa existência tão desconectada de nós.

Agradeço a Felipe a essa oportunidade e indico, recomendo, faço propaganda, grito aos quatro ventos: ELE PRECISA COMEÇAR. E NÓS TAMBÉM!

12 de março de 2009

11 de março de 2009

Keane, convivência e Ecossimplicidade


Ontem fui ver o show do Keane, banda inglesa que gosto muito, minha expectativa era grande e boa, e realmente o show foi impecável, emocionante e envolvente, porém algo atrapalhou de maneira marcante a minha ligação com o que acontecia no palco, as pessoas da platéia. 90% delas foram munidas de máquinas fotográficas e de seus potentes celulares, o que lhes garantia o registro de 100% do que acontecia no show. Só que o registro serve pra mostrar pros outros, colocar uma foto exclusiva no orkut e coisas do tipo. Mas ele afasta as pessoas da experiência do show, se via mais máquinas do que pessoas; ou melhor, mesmo ao vivo, o público só se relacionava com a tela. Isso foi triste, e eu que não sou muito alta e geralmente não vejo bem os shows que frequento, dessa vez quase não vi mesmo, só enxergava o falso brilho do "cristal" líquido.


Por isso, aproveito para emendar o texto do sempre amado Leonardo Boff sobre a Ecossimplicidade, que foi publicado no portal literário Cronópios.


5/3/2009

Ecossimplicidade

Por Leonardo Boff
O que se opõe à nossa cultura de excessos e complicações é a vivência da simplicidade, a mais humana de todas as virtudes, presente em todas as demais. A simplicidade exige uma atitude de anticultura pois vivemos enredados em todo tipo de produtos e de propagandas. A simplicidade nos desperta a viver consoante nossas necessidades básicas. Se todos perseguissem esse preceito, a Terra seria suficiente para todos. Bem dizia Gandhi: “temos que aprender a viver mais simplesmente para que os outros simplesmente possam viver”. A simplicidade sempre foi criadora de excelência espiritual e de liberdade interior. Henry David Thoreau (+1862) que viveu dois anos em sua cabana na floresta junto a Walden Pond, atendendo estritamente às necessidades vitais, recomenda incessantemente em seu famoso livro-testemunho: Walden ou a vida na floresta: “simplicidade, simplicidade, simplicidade”. Atesta que a simplicidade sempre foi o apanágio de todos os sábios e santos. De fato, extremamente simples eram Buda, Jesus, Francisco de Assis, Gandhi e Chico Mendes, entre outros. Como hoje tocamos já nos limites da Terra, se quisermos continuar a viver sobre ela, precisamos seguir o evangelho da ecossimplicidade, bem resumida nos três “erres” propostos pela Carta da Terra: ”reduzir, reutilizar e reciclar” tudo o que usamos e consumimos. Trata-se de fazer uma opção pela simplicidade voluntária que é um verdadeiro caminho espiritual. Esta ecossimplicidade vive de fé, de esperança e de amor. A fé nos faz entender que nosso trabalho, por simples que seja, é incorporado ao trabalho do Criador que em cada momento ativa as energias que produzem o processo de evolução. A esperança nos assegura que se as coisas tiveram futuro no passado, continuarão a ter no presente. A última palavra não a terá o caos mas o cosmos. Para os cristãos, o fim bom já está garantido, pois alguém de nós, Jesus e Maria, foram introduzidos corporalmente no seio da Trindade. A ecossimplicidade nos faz descobrir o amor como a grande força unitiva do universo e de Gaia. Esse amor faz com que todos os seres convivam e se complementem. Na modernidade, nós nos imaginávamos o sujeito do pensamento e a Terra o seu objeto. A nova cosmologia nos afirma que a Terra é o grande sujeito vivo que através de nós sente, ama, pensa, cuida e venera. Consequentemente, importa pensarmos como Terra, sentirmos como Terra, amarmos como Terra pois, na verdade, somos Terra, espécie homo, feito de húmus, de terra boa e fértil. Ao sentirmo-nos Terra, vivemos uma experiência de não-dualidade que é expressão de uma radical simplicidade. Algo da montanha, do mar, do ar, da árvore, do animal, do outro e de Deus está em nós. Formamos o grande Todo. Uma moderna legenda dá corpo a estas reflexões: Certa feita, um jovem iniciante na ecossimplicidade, foi visitado, em sonho, pelo Cristo ressuscitado e cósmico. Este o convidou para caminharem juntos pelo jardim. Depois de andarem por longo tempo, observando, encantados, a luz que se filtrava por entre as folhas, perguntou o jovem: "Senhor, quando andavas pelos caminhos da Palestina, disseste, certa feita, que voltarias um dia com toda a tua pompa e com toda a tua glória. Está demorando tanto esta tua volta! Quando, finalmente, retornarás, de verdade, Senhor"? Depois de momentos de silêncio que pareciam uma eternidade, o Senhor respondeu: "Meu irmão, quando para ti, minha presença no universo e na natureza for tão evidente quanto a luz que ilumina este jardim; quando minha presença sob a tua pele e no teu coração for tão real quanto a minha presença aqui e agora; quando não precisares pensar mais nela nem fazeres perguntas como esta que fizeste, então, meu irmãozinho querido, eu terei retornado com toda a minha pompa e com toda a minha glória”.


Leonardo Boff nasceu em Concórdia, Santa Catarina. Cursou Filosofia em Curitiba-PR e Teologia em Petrópolis-RJ. Doutorou-se em Teologia e Filosofia na Universidade de Munique-Alemanha, em 1970. Durante 22 anos, foi professor de Teologia Sistemática e Ecumênica em Petrópolis, no Instituto Teológico Franciscano. Professor de Teologia e Espiritualidade em vários centros de estudo e universidades no Brasil e no exterior, além de professor-visitante nas universidades de Lisboa (Portugal), Salamanca (Espanha), Harvard (EUA), Basel (Suíça) e Heilderberg (Alemanha). Em 8 de Dezembro de 2001 foi agraciado com o premio nobel alternativo em Estocolmo (Right Livelihood Award). É autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística. Site: www.leonardoboff.com

9 de março de 2009