Michael Ende sempre fez parte de minha vida, primeiro através do filme: História Sem Fim, depois do livro: História Sem Fim, depois de muitos outros livros de sua autoria. Michael é um excelente contador de histórias, é aquele avô arquetípico que todos nós sonhamos, e foi em um de seus livros que encontrei uma das mais belas e precisas definições do que representa para mim o papel do psicoterapeuta.
Em Momo e o Senhor do Tempo, que recomendo, assim como os outros, o autor fala sobre a vida da menina Momo, em um universo cheio de mistério, pessoas que roubam o tempo dos outros, mas, principalmente, sobre a capacidade de Momo ouvir e compreender o mundo.
Nenhum de nós nasce pronto, o ser humano se constrói e segue sempre em busca de seus sonhos, por isso a descrição que Michael Ende faz sobre o modo como Momo escuta pode servir de sonho a todos os psicoterapeutas que busquem a inteireza dessa profissão.
“Será que ela[Momo] sabia fazer mágicas? Ou conhecia alguma fórmula secreta para fazer as pessoas se esquecerem de suas preocupações? Ou sabia ler as mãos ou prever o futuro de alguma outra maneira?
Nada disso.
O que Momo sabia fazer melhor do que ninguém era ouvir. Muitos leitores devem estar achando que isso não é nada de mais, que qualquer um sabe ouvir.
Mas é engano. Muito pouca gente sabe ouvir de verdade. E o jeito de Momo ouvir e entender era muito especial.
Momo ouvia de tal modo que as idéias acertadas acabavam surgindo na cabeça de alguém que estivesse meio desorientado. Não é que ela dissesse ou perguntasse alguma coisa que levasse a pessoa a pensar de determinada maneira. A menina só ficava ali sentada, ouvindo com atenção e simpatia. Ao mesmo tempo fitava a outra pessoa com seus grandes olhos negros, e nela surgiam pensamentos que nunca tivera antes, como se lhe tivessem sido encravados por aquele olhar. (...) Quando alguém achava que sua vida não tinha sentido, acreditando-se um fracassado, apenas um ser entre milhões, sem qualquer importância e tão fácil de ser substituído como um prato quebrado, ia procurar a menina. Então, à medida que contava suas desventuras, a pessoa ia percebendo que, fosse ela quem fosse, era uma pessoa única no mundo inteiro, e por isso mesmo era importante para o mundo, por ser do seu próprio jeito.
Era assim que Momo ouvia. (...)
Momo ouvia todos com atenção: gatos, cachorros, grilos e sapos, até a chuva e o vento nas árvores. E cada um falava com ela à sua maneira.
Algumas noites, depois que todos os seus amigos já tinham ido para casa, ela ficava sentada, sozinha, no grande anfiteatro de pedra, debaixo do céu estrelado, simplesmente ouvindo o grande silêncio.”
Em Momo e o Senhor do Tempo, que recomendo, assim como os outros, o autor fala sobre a vida da menina Momo, em um universo cheio de mistério, pessoas que roubam o tempo dos outros, mas, principalmente, sobre a capacidade de Momo ouvir e compreender o mundo.
Nenhum de nós nasce pronto, o ser humano se constrói e segue sempre em busca de seus sonhos, por isso a descrição que Michael Ende faz sobre o modo como Momo escuta pode servir de sonho a todos os psicoterapeutas que busquem a inteireza dessa profissão.
“Será que ela[Momo] sabia fazer mágicas? Ou conhecia alguma fórmula secreta para fazer as pessoas se esquecerem de suas preocupações? Ou sabia ler as mãos ou prever o futuro de alguma outra maneira?
Nada disso.
O que Momo sabia fazer melhor do que ninguém era ouvir. Muitos leitores devem estar achando que isso não é nada de mais, que qualquer um sabe ouvir.
Mas é engano. Muito pouca gente sabe ouvir de verdade. E o jeito de Momo ouvir e entender era muito especial.
Momo ouvia de tal modo que as idéias acertadas acabavam surgindo na cabeça de alguém que estivesse meio desorientado. Não é que ela dissesse ou perguntasse alguma coisa que levasse a pessoa a pensar de determinada maneira. A menina só ficava ali sentada, ouvindo com atenção e simpatia. Ao mesmo tempo fitava a outra pessoa com seus grandes olhos negros, e nela surgiam pensamentos que nunca tivera antes, como se lhe tivessem sido encravados por aquele olhar. (...) Quando alguém achava que sua vida não tinha sentido, acreditando-se um fracassado, apenas um ser entre milhões, sem qualquer importância e tão fácil de ser substituído como um prato quebrado, ia procurar a menina. Então, à medida que contava suas desventuras, a pessoa ia percebendo que, fosse ela quem fosse, era uma pessoa única no mundo inteiro, e por isso mesmo era importante para o mundo, por ser do seu próprio jeito.
Era assim que Momo ouvia. (...)
Momo ouvia todos com atenção: gatos, cachorros, grilos e sapos, até a chuva e o vento nas árvores. E cada um falava com ela à sua maneira.
Algumas noites, depois que todos os seus amigos já tinham ido para casa, ela ficava sentada, sozinha, no grande anfiteatro de pedra, debaixo do céu estrelado, simplesmente ouvindo o grande silêncio.”

2 comentários:
Esse bolg tá bom demais!!!!!
Dani: meus parabéns! Eu, que nem sou da área, gostei muito! Para quem for, melhor ainda!
Divulguemos!
Um grande beijo!
:-)
Oi, Dani!
parabéns pelo blog!! sucessos!!
abçs
Paulo Trevisan
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